Las Vegas é a nova Ibiza

DJ Afrojack tocando na XS, em Las Vegas

Semana passada fiz um post falando sobre os DJs mais ricos do mundo e como o estigma em relação à profissão mudou. Ainda na semana passada, encontrei com um amigo que havia acabado de voltar de Las Vegas (ele vai praticamente todo ano) e me disse que estava impressionado com as festas e, principalmente, com os DJs top que estavam tocando na cidade, na mesma semana, durante sua estada: Afrojack, Sebastian Ingrosso (um dos integrantes do Swedish House Mafia, tocando solo), Steve Angelo (outro integrante do SHM, tocando solo), Tiësto, Kaskade, David Guetta e Avicii, só para citar alguns.

Eis que hoje (21), nas minhas pesquisas matinais, leio um artigo no New York Times falando das novas estrelas de Las Vegas: os DJs e a dance music que, segundo consta, é o ritmo musical do momento – depois de anos de exclusão e marginalismo. Importante frisar que, quando falo “dance music“, me refiro à música eletrônica, de uma maneira geral.

Las Vegas definitivamente não é mais a mesma. Há alguns anos, os reis da cidade, que fica no meio do deserto, eram os rappers. O hip-hop dominou as gigantescas casas noturnas por anos a fio. Mas esse cenário mudou muito de um tempo para cá. Conhecida por sua flexibilidade e por ser adepta a tudo que está na moda, a sim city abraçou a dance music como nenhuma outra cidade, a ponto de alguns entusiastas mais exagerados compará-la a Ibiza (ilha na Espanha, conhecida como a meca da música eletrônica). Patrick Moxey, fundador da Ultra Records (gravadora independente líder do mercado no gênero) é um deles: “Las Vegas é a nova Ibiza”. A Ultra acabou de fechar um contrato com as casas noturnas da rede Wynn e fará álbuns exclusivos para os clubs.

Marquee, a casa noturna que mais fatura nos EUA, em Las Vegas

Exageros à parte, segundo a publicação americana Nightclub & Bar, 8 das 10 maiores casas noturnas dos Estados Unidos estão em Las Vegas, tendo a Marquee em primeiro, com faturamento anual entre US $70 e US $80 milhões de dólares. Junte a isso a popularização do Electric Daisy Carnaval (E.D.M.), o maior festival de música eletrônica dos EUA, que aconteceu na semana retrasada. No mesmo período, produtores, músicos e executivos da música reuniram-se na conferência EDMbiz, na qual discutiram o boom do dance na cidade e se LV pode ser um estudo de caso sobre o gênero musical. Também questionaram o comprometimento da cidade, já que Las Vegas tem um longo histórico de seguir o mundo pop.

Segundo o diretor de música da agência WME, Marc Geiger, “Vegas é o reflexo do que está na moda, e não do que está por vir”. O DJ Mr. Aoki (um dos residentes da Surrender e XS) vai mais longe: “Eu sempre achei Las Vegas a cidade mais ignorante do mundo musicalmente.” E completa “Hoje isso mudou… As pessoas que entram nos clubes estão mais educadas musicalmente. Elas já conhecem as músicas dos DJs”. E é verdade. Sempre achei a cidade um tanto quanto cafona e as baladas um pouco over demais, para o meu gosto, é claro (já que sou adepta de casas noturnas menores e sem tanta afetação). Porém, quando meu amigo me passou a lista de todos os DJs que ele viu, em uma semana, como uma fã fervorosa de música eletrônica – de qualidade, diga-se de passagem -, confesso que queria pegar o primeiro avião e voar para lá.

DJ Mr. Aoki, tocando na Surrender

Segundo consta, a popularização do estilo musical e da cidade como o maior centro da dance music atualmente vieram no ano passado quando o DJ “oculto” Deadmau5 tocou no aniversário de dois anos da XS. A casa atraiu 7.500 pessoas em plena segunda-feira, um número só comparado às noites de sábado. Mas o produtor e diretor musical dos clubes do hotel Wynn, Jonathan Shecter, acredita que a popularização se deve a uma série de fatores: “Houve um acontecimento de convergência entre o crescimento natural do festival E.D.M., a importância dos shows ao vivo, como uma maneira do artista ganhar dinheiro e se conectar melhor com o seu público e a ascensão de Las Vegas como um dos grandes polos de casas noturnas. E tudo isso aconteceu ao mesmo tempo.”

A cidade realmente tem superclubs, onde só lugares voltados ao entretenimento podem possuir e, Las Vegas, com seus supercassinos, é o lugar ideal para abrigar essas casas gigantescas. E como a cidade respira dinheiro, os negócios em torno da música eletrônica só tem aumentado. Como já mencionado antes, álbuns exclusivos estão sendo produzidos, camisetas e outros produtos de DJs, como, por exemplo, Deadmau5, estão por todas as lojas dos hotéis e até um canal exclusivo está sendo produzido.

Pois é, a cidade do pecado nunca esteve tão cool.

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