Sónar: um festival para gente grande

Emicida se apresentando no Sónar

Aconteceu no último fim de semana o Sónar – Festival Internacional de Música Avançada e Arte New Media. Com um público – em sua maioria adulto – de 30 mil pessoas, durante os dois dias, o Anhembi foi tomado por tribos de “modernets” e hip-hop. Adolescentes eram raridade no festival.

O primeiro dia (11) foi o mais vazio (cerca de 14 mil pessoas) e teve em sua programação nomes como James Blake (como DJ), Kraftwerk, Criolo, Emicida, Chromeo, James Pants, entre outros.

Cheguei por volta das 21h e o Anhembi ainda estava vazio. Sem problemas para estacionar ou entrar no festival, de cara deu para se ter uma ideia de que o público seria diferente. No começo fiquei um tanto atrapalhada já que, apesar de bem organizado – em alguns aspectos -, o festival pecou por falta de informação do seu staff e pouca sinalização de palcos etc. Até descobrir qual palco era qual, tive que perguntar para umas sete pessoas da própria organização – em vão. Quem salvou a pátria foi um jornalista, que mesmo confuso, deu palpites certeiros. Depois de devidamente localizada, fui curtir a programação.

James Blake

James Pants

James Blake foi o primeiro a abrir o palco Club (principal). Com um set desinteressante, ele foi a decepção da noite (pelo menos como DJ). Na metade da sua apresentação, fui conferir James Pants, no palco Village, que estava bem mais interessante. Tentei ver Tahira no Hall, mas este estava com problemas, o que atrasou toda a programação do palco que ficava em um auditório. Não esperei para ver e fui direto para o Club, onde logo mais iria tocar o quarteto alemão Kraftwerk. A atração mais esperada da noite de sexta-feira não decepcionou.

Problemas no palco Hall

Kraftwerk

Kraftwerk

Com uma apresentação em 3D (a primeira no Brasil, nesses moldes), Krafwerk mostrou que ainda há muito a se explorar em performances deste estilo. O show, que só foi visto uma vez no MOMA, em NY, é surreal. Apesar de fria (o quarteto não esboçou qualquer reação durante a apresentação), a performance é inovadora e, mesmo com som e músicas que não são tão familiares ao grande público, o show é algo a ser visto e ouvido. Confesso que, até para quem está acostumado a ouvir de tudo e já sabia o que o aguardava, como eu, por exemplo, depois de uma hora, a apresentação se tornou um pouco cansativa…

Público usando óculos 3D para conferir a apresentação do Kraftwerk

Com atrasos em torno de meia hora, depois da apresentação do Kraftwerk fui conferir o show do Emicida, que ainda não tinha entrado. Deu para ver o final da apresentação do DJ Zegon & Sonidos Unidos Sound System, que atraiu um público completamente diferente do Club. Quando o rapper paulista Emicida entrou no palco, ele deixou claro o porquê foi uns dos melhores artistas de 2011. Com a língua afiada (o rapper também fez uma declaração de protesto e pediu para os presentes levantarem o dedo do meio para os políticos durante a música “Dedo na Ferida”, o que no dia seguinte causou sua prisão em Minas Gerais), Emicida lotou o palco Village. Uns 15min antes do fim, voltei para o palco Club para conferir a apresentação da dupla Chromeo.

Dj Zegon & Sonidos Unidos Sound System

Emicida

O electrofunk à lá anos 80 do Chromeo é sempre muito divertido. Simpáticos e irreverentes, o show (que eu já havia visto ano passado no Bestival) foi um dos melhores do primeiro dia do Sónar. Muito mais alegre e dançante que o restante das apresentações, Chromeo colocou a pista Club – lotada – para dançar. O show terminou por volta das 3:30 e, a esta altura, eu já estava virando abóbora.

Chromeo lotou a pista do Club

Chromeo

Apresentação colorida e divertida do Chromeo

Mais cheio, o segundo dia (12) começou cedo, mas confesso que só cheguei às 20h. Mesmo com uma programação mais pop do que do dia anterior, o público se manteve adulto.

Alva Noto & Ryuichi Sakamoto

Dj Nedu Lopes

Cheguei na hora para ver a apresentação do Alva Noto & Ryuichi Sakamoto no palco Hall. O pianista japonês (ganhador do Oscar, pela trilha sonora de “O Último Imperador) e o artista alemão fizeram um show relax. Não fiquei até o final. No palco Club, quem abriu a programação foi o DJ Nedu Lopes, que fez um set competente, perfeito para esquentar as baterias para o próximo e um dos mais aguardados shows da noite.

Cee Lo Green

Cee Lo Green e seus parceiros do Hip-Hop

Cee Lo Green foi uma das atrações principais do sábado. Com sucessos antigos e cover do David Bowie, “Let’s Dance”, o cantor americano fez uma apresentação curta, mas bem empolgante. Visivelmente alegrinho, o simpático cantor ofereceu um shot de tequila ao público e chamou ao palco antigos parceiros do hip-hop. Porém, o ponto forte do show foi quando Cee tocou “Fuck You”.

Cee Lo Green

Infelizmente devido aos atrasos e trocas de horários, eu não consegui ver Mogwai e James Blake (ao vivo) no palco Hall que, segundo consta, fizeram apresentações excelentes. Na verdade, cheguei no final da última música do Mogwai, o que me deixou mais frustrada. Mas os donos da noite eram franceses…

Justice

A dupla francesa lotou a pista do Club

Justice, o show mais esperado por esta pessoa que vos escreve, tocou no palco Club. Com mais de uma hora de atraso (não por culpa deles, mas pelo efeito cascata)  a dupla não fez feio. O público em peso cantava e vibrava com a apresentação do duo. Com um som prog-dance-metal do último álbum “Audio, Video, Disco”, intercalado com o som mais pop do disco anterior “Cross”, Justice fez, sem dúvida, um dos melhores shows do Sónar. As luzes acompanhando as batidas da dupla durante a apresentação muitas vezes pareciam estrelas (sabe aquelas de colar no teto do quarto?), foram um show à parte. Ainda fiquei para ver o começo do show do Modeselektor, que começou logo em seguida, mas depois de tanto atraso e com um som bem mais pesado, acabei me entregando ao cansaço e fui embora.

Modeselektor

Modeselektor

De um modo geral, achei o Sónar bem organizado e o espaço utilizado (as partes cobertas do Anhembi) se mostrou eficiente para o evento. Com um público em tamanho ideal (não estava abarrotado) fez o festival ficar mais agradável. Mesmo a maconha imperando nas pistas, o público era bem mais adulto, na faixa dos 25 aos 35 anos (até pelo tipo de música). Não vi confusão, apesar de relatos de muitos roubos de celular. Bares e praça de alimentação sem grandes filas e banheiros relativamente em número satisfatório. A limpeza foi um ponto forte do evento, já a sinalização… Faltaram placas identificando os palcos e banheiros. Staff desinformado e tão perdido quanto o público, porém, todos muito simpáticos. No mais, o Sónar só veio somar no calendário de festivais no Brasil. Com uma programação que misturou a vanguarda e o futuro da música eletrônica e experimental, o Sónar cumpriu a que se propôs.

Eu

Sónar

Sónar

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