A Virada – e a experiência – Cultural

Centro de São Paulo na Virada Cultural

O Godzilla dos eventos, a Virada Cultural da cidade de São Paulo, que aconteceu entre às 18h do dia 5 e foi até às 18h do dia 6, é muito mais do que proporcionar cultura nas ruas da caótica metrópole, é uma experiência cultural e social, de que algum dia, todos deveriam participar.

A 8º edição foi a minha primeira. Fiz um roteiro musical, o qual gostaria de ter visto na íntegra, mas acabou não acontecendo, até mesmo pela minha inexperiência nesse superfestival. Porém, não fiquei chateada, pelo contrário, quando me dei por mim no meio da multidão fiz somente o que estava a fim, sem pressão para ver fulano ou sicrano, apenas curti o momento, e que momento.

Praça da República

Praça da República

Meu itinerário – a pé – começou às 21h no começo da Av. Rio Branco. Passei pelo terminal Princesa Isabel, onde estava rolando uma das pistas de dança. Segui em direção à Av. Ipiranga e fui até a Praça da República. Dei uma passada pelo coreto e peguei, no palco principal, o começo de um show de jazz. Como estava querendo chegar logo ao Vale do Anhangabaú, fiquei pouco e por isso não prestei muita atenção, uma pena. Continuei minha caminhada e parei no Cabaré montado a céu aberto, em frente ao lendário Love Story (“a casa de todas as casas”). Voltei para a Av. São Luís e segui firme até chegar ao Teatro Municipal. Recém-reformado e todo iluminado, ele estava lindo e esplendoroso. Nesse momento estava rolando o show da Ângela Maria e Cauby Peixoto. Só vi pelo telão, já que era necessário ter pego os ingressos limitados antecipadamente.

Cabaré

Camões no centro de São Paulo

Desci as escadas e cheguei ao Vale do Anhangabaú. Eu estava louca para ver a Bachiara nº1, realizada pela São Paulo Companhia de Dança e Cellos da Osesp. Apesar de breve, a apresentação foi linda. De lá fui direto para Rua XV de Novembro, onde a australiana Nadéah tocaria logo mais. Importante ressaltar que o caminho entre as vielas da “antiga São Paulo” foi demais. Uma pequena ladeira, junto ao Café antigo e pequenos quiosques de madeira de “1900 de rolha” são o charme do trajeto. Já tinha passado pelo antigo centro financeiro da cidade, mas de dia e sempre na correria, principalmente com medo de possíveis trombadinhas à saída dos bancos. À noite e todo iluminado, o centro, e especialmente essa parte, fica realmente lindo. Às 22h30, a cidade ainda estava limpa e as ruas não estavam tão cheias. Enquanto Nadéah fazia a passagem de som, aproveitei para sentar um pouquinho, já que a caminhada ainda estava longe de acabar.

São Paulo Companhia de Dança e Cellos da Osesp

Nadéah

A australiana entrou uns 15 min. atrasada, mas não fez feio. A simpática e extrovertida cantora fez um show energético. O palco parecia pequeno para a moça, que tropeçava o tempo todo. O público foi chegando aos poucos e, no final da sua apresentação, o espaço estava tomado de gente. Com um som meio folk, meio teatral, com direito a recital em português, Nadéah conquistou o público jovem.

A Rua XV de Novembro ficou cheia para a apresentação da cantora Nadéah

Pátio do Colégio

De lá fui para o Pátio do Colégio e depois para a Praça da Sé. Confesso que fiquei pouco, a multidão para ver os shows de stand-up era muito grande, o que me deixou um pouco desconfortável. Sem contar que estava impossível de ouvir alguma coisa… Segui para São Bento, passei pelo lindíssimo mosteiro e atravessei o Viaduto Santa Ifigênia. Aí começou a complicar… Como queria chegar ao palco da Estação Júlio Prestes, tive a infeliz ideia de pegar a Av. Cásper Líbero. Não por nada, mas com uma programação mais jovem e adolescente, a quantidade de meninas e meninos “doidões” era grande. No final da Av. tinha o palco da MTV (graças a Deus, passei quando não tinha ninguém tocando), mas para chegar até lá, passei por uma pista de música eletrônica, o que só complicou mais a travessia. A garotada, visivelmente alterada cheirando latinha, ou melhor, o que tem dentro dela, tomou conta da rua inteira, dificultando e muito a passagem. Engraçado que diferentemente dos outros lugares por onde passei (com muita segurança e policiais), o pedaço onde deveria ter mais policiamento, até por conta da quantidade e idade do público, era onde menos tinha. Não vi um só policial ou guarda metropolitano. Felizmente cheguei até à Luz e segui direto para a estação Júlio Prestes.

Mosteiro de São Bento

Tony Allen tocando na Estação Júlio Prestes

Queria muito ver Seun Kuti & Egypt 80 (filho e banda de um dos percursores do afrobeat, Fela Kuti), que começaria às 2h30. A essa altura já era mais de 1h e eu já estava virando abóbora. Consegui pegar um pedaço da apresentação do também nigeriano Tony Allen (sorte minha). Mas depois de tanto caminhar e um pouco estressada pelo sufoco da Av. Cásper Líbero, fiquei mais meia hora e fui embora, mas não sem antes passar pela “cracolândia”. Na verdade, fazia parte do meu caminho de volta, já que meu carro estava estacionado a poucos quarterões de lá, mas confesso que foi uma passagem interessante. Limpa e relativamente vazia, pouco lembrava a rua, onde meses atrás só se via “zumbis humanos”. Digo isso, pois trabalhei muito tempo a duas quadras de lá. Foi simbólico passar por uma rua que simplesmente não existia no meu GPS. Estava rolando um show de dança, mas infelizmente com pouco público.

Palco Estação Júlio Prestes com Tony Allen

Estação Júlio Prestes

O resumo da Virada Cultural foi extremamente positivo. Fico feliz de ver um evento, no qual o poder público proporciona cultura (tão escassa) para a população. O centro de São Paulo é lindo e precisa ser mais visitado, mas sem eventos desse porte, com policiamento triplicado, fica difícil. Trabalhei no centro e há muito tempo não andava por lá, por isso a experiencia se tornou muito mais prazerosa, pelo simples fato de poder visitar lugares a pé, que talvez jamais iria novamente. Com exceção da fatídica Av. Cásper Líbero, o evento estava muito bem policiado e relativamente limpo. O pouco que vi em relação à programação musical estava tudo nos conformes: line-up diversificado e som com qualidade boa (melhor que muito festival famoso e pago).

Público lotou a Virada Cultural

Se você ainda não teve coragem ou vontade de ir à Virada Cultural, vá ano que vem. Experiência única! A dica que eu daria seria para chegar cedo (até às 21h no máximo), quando as ruas ainda não estão tão cheias e a cidade está limpa e linda para ser vista e ouvida.

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