Acertos e erros do Lollapalooza

2012 foi a primeira edição do Lollapalooza no Brasil, apesar do festival estar longe de ser um iniciante, Perry Farrell já é macaco velho e sabe o que funciona e o que não funciona em seus eventos, mas mesmo assim algumas coisas deixaram a desejar…justiça seja feita, há mais acertos do que erros…

ACERTOS

Local

Sem dúvida a escolha do Jockey Club foi um dos maiores acertos. O local não só é agradável e amplo como tem uma vista muito bacana da cidade de São Paulo. É estrategicamente perto de importantes meios de transporte, tais como linhas de metrô, trem e ônibus, coisa que só lugares dentro da cidade podem proporcionar. Óbvio que alguns transtornos, principalmente no primeiro dia, ocorreram, porém, é muito mais uma questão de aprendizado e ajuste. Não há como testar antes, portanto, acredito que na segunda edição a CET junto com a organização irão ter uma ideia melhor do que funciona ou não em relação aos trechos e vias.

Vista do Jockey Club

Line-Up

Perry foi ninja ao escalar Foo Fighters para o Lollapalooza. É claro que a banda não sustenta os dois dias, mas gerou a publicidade e atenção necessária ao novo evento. Mas nem só de Foo viveu o Lolla. O festival, que sempre teve como marca registrada uma programação que valoriza as vertentes do rock, foi esperto ao escalar nomes do indie rock, que estão mais pop do que nunca, entre eles: Foster The People, MGMT, Friendly Fires, Cage The Elephant, entre outros….sem contar clássicos, como Joan Jett e Arctic Monkeys que, apesar de novo, está longe de ser principiante.

Foo Fighters e Joan Jett. Line-up acertado.

Shuttle

Apesar de o transporte ter se mostrado mais eficiente para levar ao festival do que trazer de volta ao Shopping Eldorado, até porque o fluxo de pessoas de ida variava e o de volta foi ao mesmo tempo, a iniciativa de fornecer gratuitamente o shuttle, priorizando o transporte público e obrigando o público a ir de outras maneiras que não o próprio carro, foi simpática e se mostrou eficiente, de uma maneira geral. Novamente, é muito provável que nas edições futuras esse sistema melhore e cause menos transtornos, já que terão noção de fluxo etc…

Sistema de shuttle fornecido gratuitamento pelo festival

Pontualidade

Respeito com o público é o mínimo que se pode esperar de festivais que cobram preços absurdos, mas isso está longe de ser uma realidade no Brasil. O Lollapalooza foi impecável em relação aos horários dos shows, às vezes chegava até ser irritante tamanha pontualidade, já que em alguns momentos, como, por exemplo, quando se estava presa em alguma fila, um atraso de uns 10 minutos seria bem-vindo. O bom é que o público sabia exatamente que hora ia começar o que e, conseguia, na medida do possível, se programar.

Festival familiar e amigável

Olha, sei que vai levar um tempo até o Brasil perceber que ter família – leia-se filhos – não é um problema para sua vida social. Ok, fui um tanto dramática, mas é que infelizmente os eventos nacionais de grande porte não priorizam o público que vem já com “brinde”, digamos assim. Fora do Brasil, qualquer grande festival de música tem uma área destinada às crianças, alguns, inclusive, tem áreas para as mães amamentarem, e não pense você que são eventos infantis, longe disso, estou falando de Coachella, New Orleans Jazz Festival etc. Pessoas com algum tipo de deficiência física também tem o total direito de se divertir e que isso não seja uma aventura, no mau sentido, no qual há mais dificuldades do que facilidades. O Lolla fez um espaço só para crianças, apesar de ter ficado boa parte do tempo vazio, e permitiu a entrada de cães-guia (não vi nenhum). São iniciativas importantes e espero que com o tempo, isto se torne não um diferencial, mas um “commodity” em festivais no Brasil.

Festival mais que amigável...

ERROS

Filas

No primeiro dia, o qual foi o maior movimento, a quantidade de caixas e banheiros se mostrou insuficiente. Verdade seja dita, havia bastantes pontos de caixas e toalets espalhados pelo Jockey, mas o número de cabines era insuficiente. Sinalização para os banheiros eram precárias, alguns pontos eu simplesmente não vi, o que acabou sobrecarregando outros que estavam mais visíveis. A iniciativa de venderem fichas fora das cabines só veio no segundo dia (pelo que eu vi) e acabou ajudando bastante.

Fila pra comprar fichas

Fila do banheiro

Preço do evento e fichas datadas

Acho um absurdo um evento de dois dias tentar ao máximo dificultar e prejudicar o público com um sistema de fichas datadas. Ok, eles fazem isso porque acabam ganhando em cima das pessoas que não conseguem usar tudo, mas acho falta de respeito, mesmo, principalmente com as pessoas que pagaram – caro – para ir aos dois dias. Eles precisam facilitar para o público e não dificultar. Sem contar o valor dos ingressos que, na real, não vale nem a pena comentar, já que o Brasil não só é o país dos impostos como também uma das nações mais caras para se assistir ao um show internacional…

Preços e opções de alimentação

Praça de alimentação? Que praça? Opções? Na contramão da maioria dos festivais gringos e do SWU no Brasil, o Lollapalooza vendeu a cota da praça de alimentação para um único fornecedor. Os únicos que ganharam com isso foram a Sadia, pela exclusividade, e o próprio Lolla, que colocou à venda um item importantíssimo no preço que queria. O público teve que se contentar com lanches prontos e preços altíssimos, tanto das bebidas como das comidas. Variação é um quesito fundamental para um evento que precisa ao máximo trazer conforto para um público que, por mais que adore festivais, sofre com o desgaste natural de ficar em certos locais por longos períodos. Aliás, muitos festivais internacionais usam a praça de alimentação como chamariz para atrair mais público, pois eles perceberam que esses eventos são mais do que simplesmente música; é um complexo de entretenimento. É todo um conjunto, e comer bem faz parte do pacote.

Preços salgados e falta de opções

Sombra e áreas de descanso

Está certo que ter lugar para todo mundo sentar é impraticável, mas pela falta de árvores no local, produzir sombras artificiais, como tendas, por exemplo, é uma forma de trazer mais conforto e menos desgaste ao público, sem contar desidratação etc…O Lollapalooza pecou nesse sentido, no qual apenas uma tenda promocional e a Perry (eletrônica) produziam esse efeito.

Poucos lugares de sombra...Área de um patrocinador

Tenda Perry

Telefonia e acesso à internet

Nem preciso dizer que as linhas congestionaram. Não só foi impossível usar a internet como fazer ligações. Infelizmente não consegui mandar notícias direto do Lollapalooza. Falha feia.

Tentando em vão usar o telefone...Já que não dava para mandar notícias o jeito foi relaxar um pouquinho...

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Lollapalooza é um dos festivais mais importantes do mundo, em se tratando de vertentes do rock. Fico feliz que o Brasil, cada vez mais, tem sido requisitado e entrado na rota da música. Problemas houve, mas como tudo na primeira vez nunca é perfeito, mas acho que o festival vai trazer memórias bem mais positivas do que negativas…que venha a segunda edição! Até, Perry Farrell.

4 pensamentos sobre “Acertos e erros do Lollapalooza

  1. Guilherme disse:

    Muito bom os comentários, só não estou muito de acordo com o Line Up, pois acho que poderia ser melhor aproveitado e trazer um pouco mais de opções para as tardes. De resto estou de acordo com você, uma bela estrutura em um belo local como o Jockey.

  2. Marcela disse:

    Mto bom os pontos positivos e negativos! Nao fui ao evento e os detalhes percebidos e mencionados com fotos sao pontos cruciais para avaliar se realmente o festival investiu o quanto se pagou $$. Um ponto que senti falta foi se o evento teve alguma iniciativa sustentavel (apesar de nao ser o foco como na SWU que reciclou o lixo, fornecia opcao de lixo para pitucas de cigarro, etc) e com relacao a atracoes diferenciadas para entreter o publico (soube que existia uma “mesa de jantar” erguida a varios metros, que seria para o publico apreciar a vista do alto) ou como roda gigante presente em outros eventos. Para finalizar, agora ja sei aonde posso consultar se um evento foi bom ou ruim de uma maneira impessoal e com criterios de avaliacao coerentes. Parabens!

    • Kaká Felipe disse:

      Primeiramente, muito obrigada Marcela. Fico muito feliz com o seu feedback!!!
      Em relação ao lixo etc…eles colocavam mensagens no telão para as pessoas colaborarem pois o lixo seria reciclado, mas de verdade, como sempre vejo em todos os festivais, faltou lixo, vc tinha que andar muito para achar um e qdo as pessoas não acham acabam jogando no chão, que foi o que aconteceu.
      Distribuíram porta bituca, mas foi quase irrelevante…
      Quanto a mesa de jantar puxada pelo guindaste, infelizmente acabei não vendo de perto, pois já cheguei na correria de conferir os shows e era um atrás do outro…
      Continue acompanhando.
      Bjos

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