Música e futebol

Apresentação da Madonna no Super Bowl XLVI

Não é nenhuma novidade que os americanos sabem fazer um evento como ninguém, mas assistindo ao Super Bowl XLVI, final do campeonato nacional de futebol americano, no último domingo (5), me fez pensar em o quanto o Brasil está longe disso, principalmente com a Copa e Olimpíadas chegando.

Brasileiros também sabem fazer uma festa – taí os diferentes carnavais espalhados pelo país para provar -, mas é algo que tem muito mais a ver com estado de espírito do que propriamente organização, que, cá entre nós, o Brasil tem zero. Juro que não quero passar a ideia de “o que é de fora é muito melhor”, mas preste atenção: durante o jogo, no show do intervalo (que dura 30 min) e teve nada mais nada menos que Madonna cantando (e alguns convidados de peso), a produção montou “O” palco em 7 min, a cantora fez “O” espetáculo – com dezenas de bailarinos, coral e efeitos visuais – em 12 min, e o palco foi desmontado em 5, e tudo isso no meio do campo. Fico pensando que no Brasil, o máximo que daria tempo seria colocar umas cheerleaders com cara de cansadas e mal coreografadas, com todo o respeito. Um amigo ainda brincou, dizendo que se fossem apagar as luzes, para acender novamente seriam uns 45 min. Exageros à parte, esse ceticismo tem um certo fundamento.

Depois que a CBF adotou o sistema europeu de pontos corridos para o campeonato brasileiro, a verdade é que nunca mais tivemos uma “final” de campeonato com todo o peso que só uma final no país do futebol – o esporte mais idolatrado do mundo – pode ter. Ok que o esquema novo é bem mais justo para as equipes que se prepararam com seriedade e fizeram uma campanha competente e estável, porém, o público sai perdendo nessa, pois o time que ganha, pode conquistar o campeonato com qualquer equipe, que não necessariamente esteja brigando pelo primeiro lugar do brasileirão. Resumindo: o quesito “emoção”, no melhor estilo “tudo pode acontecer”, sai perdendo, e não se engane, todos saem perdendo.

Vocês já pararam para pensar o quanto rola de dinheiro na final do Super Bowl? Pois é, 30 segundos no terceiro e penúltimo intervalo já bateram o valor de $ 3.000.000,00 (60 é o número aproximado de anunciantes). É sem dúvida o evento que possui a publicidade mais cara da televisão. Sem contar que os comerciais são preparados exclusivamente para o jogo. É uma competição fora dos gramados, vendo quem é o mais criativo, quem conquista e capta a atenção dos fanáticos que só pensam em uma coisa, assistir ao jogo. Isso eleva o nível das propagandas, e muitas acabam ganhando prêmios. Não é de se estranhar que boa parte das pessoas ficam na expectativa para ver os anúncios premium.

Quanto ao show, rola um lobby ferrado das gravadoras para conseguirem colocar seus artistas na maior audiência da televisão americana. Nomes como Michael Jackson, The Who, Ella Fitzgerald, entre outros, já passaram pelo halftime show. Madonna foi a escolhida da vez. Prestes a lançar seu mais novo álbum “MDNA”, a cantora (e a gravadora também) não poderia vislumbrar vitrine maior do que a curta apresentação no final do campeonato. Esforços ela não poupou. Lançou dois dias antes do jogo, o videoclipe do seu novo single “Give Me All Your Luvin” que, entre outras coisas, mostra cheerleaders e vários jogadores de futebol americano. Por essas e outras que Madonna é Madonna, realmente é para poucos. Gênia. E caso você nunca tenha assistido ao Super Bowl ou aos shows que rolam no intervalo, não pense que é qualquer palquinho, é o Senhor palco, digno de qualquer grande turnê da diva do pop. E as apresentações, apesar de curtas, são sempre muito bem elaboradas. Enfim, espetáculo e show para ninguém botar defeito, a não ser quando algo dá errado, como há alguns anos a Janet Jackson que ficou com um seio de fora durante a apresentação e foi duramente criticada – não só ela, mas a emissora também, já que rola um delayed de alguns segundos na transmissão televisionada.

Ah, e já ia me esquecendo, o Super Bowl é o segundo dia em que mais se consome comida nos EUA, só perdendo para o Dia de Ação de Graças. Sim, a indústria alimentícia e o comércio agradecem. A cidade sede do evento é escolhida previamente pela organização (NFL) independentemente se o time da cidade participará ou não da final, o que acaba gerando um aquecimento econômico em regiões que talvez nunca teriam essa oportunidade. Bom, como podem ver, os números do jogo final são realmente absurdos e dá uma ideia do quanto esse tipo de evento é importante para economia de um país. Sem contar que em tempos de crise – como a que os EUA estão passando agora – é um bom escape, e por que não, oportunidade de mostrar a força que a nação tem, pois cá entre nós, não conheço outro país que consiga essa façanha.

É de se estranhar que o Brasil, que é conhecido por sua musicalidade, não faça eventos desse nível, afinal de contas não somos o país do carnaval e do futebol?! Se pensarmos bem, cacife nós temos, tamanho também, estádios nem se fala, já que depois da Copa do Mundo vários ficarão como verdadeiros elefantes brancos e subaproveitados. Então o que é que falta? Eu, sinceramente, não sei responder, mas que o Brasil poderia olhar para esse tipo de evento com bastante seriedade e de uma forma muito mais cuidadosa, isso poderia. Claro que algumas regras teriam que mudar ou ao menos se ajustar a nossa realidade. O intervalo no futebol brasileiro é menor, 15 min contra 30 dos americanos – que jogam durante quase 4 horas -, mas poderíamos fazer o show no final, por exemplo. Enfim, as possibilidades são infinitas, e faria, o que hoje é um programa que agrada só a quem gosta do esporte, ser algo para todos. Entretenimento puro. A economia do país e os telespectadores agradecem.

Caso não tenha visto, assista à apresentação da Madonna e veja do que é que eu estou falando.

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