É errando que se aprende

Acho importante falar sobre a organização do SWU 2011.

Parque Brasil 500

Eu sou a primeira a apontar falhas, principalmente quando elas, de fato, atrapalham de alguma forma a qualidade da experiência “presencial” do público em festivais de música. Faço isso porque geralmente eles não são baratos e também porque já exigem das pessoas um tanto de disposição física e de paciência para encará-los. Nada mais justo, portanto, do que proporcionar um evento que traga o mínimo de conforto, acessibilidade e segurança ao público. Mas também acho meu dever elogiar quando esses princípios básicos são respeitados. E o SWU cumpriu essa missão.

Parque Brasil 500

Parque Brasil 500

Espaço, acessibilidade, segurança, dentre outros serviços infinitamente melhores do que os da primeira edição. Filas, quase não houve. Mudou o local e a cidade. O Parque Brasil 500, o atual, foi uma troca acertada. E o transporte público –  com uma rota exclusiva para o evento, disponibilizada pelas prefeituras de Paulínia e arredores –   mostrou-se eficiente e bem planejado. Como dessa vez não fui de carro, não sei dizer como estava para poder estacionar, mas o trânsito em frente ao SWU, onde  havia estacionamento exclusivo para ônibus e vans e também local para as pessoas desembarcarem, estava tranquilo.

Parque Brasil 500

para beber era necessário ter a pulseira, que era só disponibilizada mediante a apresentação de RG

organização e transporte eficientes

organização e transporte eficientes

Praças de alimentação, inclusive uma vegetariana, bem distribuídas pelo parque e com boa variedade de opções. Bares em quantidade generosa e com vários vendedores andando por todos os lugares do parque. Banheiros,  muitos.

praças de alimentação amplas

praças de alimentação amplas

praça de alimentação para vegetarianos

boa infraestrutura

Incidentes eu não perceberia se não fosse pelo furto do celular de uma amiga. Essas coisas acontecem em qualquer evento desse nível, principalmente se estamos distraídos. Não à toa roubaram minha identidade portuguesa e £100,00, na Inglaterra, durante o Bestival. O problema é quando esses incidentes ocorrem de forma desproporcional. Aí há falha na segurança. Acho que o que deve ter em festivais desse porte é uma base ou tenda policial. Só para poder registrar pequenos incidentes como esse,  entre outros. Muitos podem criticar e dizer que lugar de polícia é na rua e não em evento de música, mas acredito que a quantidade de pessoas nesses locais justifica a presença  de policiais, sim. Como a falta de uma base policial não é uma falha só do SWU, não posso usar isso contra  a organização do evento, mas algo para se pensar para a próxima edição.

As únicas coisas que deixaram a desejar, mais uma vez, foram os preços abusivos e a sujeira.

Lixeiras em quantidade insuficiente e pequenas, do tipo que em meia hora de churrasco na sua casa com uma dúzia de amigos encheria. Equipe de limpeza só recolhendo o lixo depois do evento (sério), o que fazia com que na metade do dia o chão estivesse digno de uma prova de obstáculos. E produção “dobrada” de lixo.

lixeiras pequenas

lixeiras pequenas

lixo espalhado pelo festival

Não sei se é lei, mas não deixavam as pessoas saírem com latinhas. Conclusão: eram copos e mais copos plásticos, e os coitados dos vendedores que ficavam andando para cima e para baixo tinham que carregar as latas vazias  – o que, é claro,  não funcionou, pois eles jogavam em qualquer lugar ou ao lado onde nem um lixo para esse fim havia. Imaginem a sujeira que se formou! Pode até ser que alguma intenção existia por trás disso, mas ficou constatado que ela não funcionou.

Banheiros sujos e abandonados. Viam-se pessoas trabalhando só nas primeiras horas, depois só Deus sabe para onde iam.

lixo amontoado durante os três dias

Um evento, que se diz ecologicamente correto, poderia adotar umas ações que  pudessem fazer toda a diferença, pelo menos à vista de quem participa.

Primeiro, a contratação de mão de obra na região e arredores (vendedores de bebida espalhados pelo parque  etc.), desenvolvendo, assim, o mercado local. Com uma certa experiência em empresa que trabalha com prestação de serviços, sei que muitas vezes é difícil achar pessoas disponíveis para trabalhar, ainda mais com o mercado aquecido e outros trabalhos pagando muito mais. Mas não é impossível. Chamar jovens carentes das comunidades locais para fazer esse serviço é uma boa opção. Tenho quase certeza de que eles iriam adorar trabalhar em um evento de música, ainda mais bacana desse jeito. Agora, pegar uma empresa que recrutou pessoas da cidade de São Paulo, que tiveram que pagar estadia, alimentação  etc., para ganharem apenas R$ 0,75 ou R$ 0,80 por cada cerveja que era vendida a R$ 7,00 ,  desculpem-me, é fazer os coitados quase pagarem para trabalhar. Vários com quem conversei estavam muito insatisfeitos e alguns voltaram para SP depois do segundo dia. Ouvi dizer que contrataram 500 pessoas da região para trabalhar no evento, mas não sei se isso é verdade, pois todos com quem falei não eram.

Já que a questão do carro é algo que eles tentam fazer o público desistir de usar para ir ao SWU, outra opção para se tornar mais eco-friendly é buscar fornecedores de alimentos e produtores locais. Também ajudaria a desenvolver o comércio das cidades ao redor e  essas pessoas não contribuiriam  para a poluição do transporte das mesmas até Paulínia  – gás carbono e desperdício de recursos naturais, como petróleo  etc..

É óbvio que são impactos simbólicos no macro ambiente, mas como a bandeira do festival é toda voltada para ações em relação à sustentabilidade, e o próprio nome já diz “começa com você”, o público sabendo que o evento também cumpre a sua parte, o SWU conquistaria de vez a simpatia de  todos e ficaria com uma marca muito mais forte e consistente.

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