Planeta Terra 2011

Acontecem coisas na vida que, simplesmente, não existe explicação. Mesmo sendo uma ansiosa grau  cinco, com o tempo venho aceitando que de nada adianta se programar ou sofrer por antecipação por dias, meses e talvez até anos, porque imprevistos simplesmente acontecem, alguns bons e outros ruins.

Na minha modesta opinião, como espectadora aficcionada por shows, o Planeta Terra é o melhor festival de música no Brasil. É claro que ainda falta um bocado de eventos desse tipo para eu ver em terras tupiniquins, mas até hoje, no alto dos meus  vinte e nove anos, é o meu preferido. Os motivos são vários. Primeiro, a escolha feliz pelo Playcenter como local do evento, deixando tudo com um ar mais despojado e lúdico; segundo, a organização me parece razoável, desde a prestação de diversos serviços, tais como limpeza, a sinalização no entorno do parque; terceiro, o line-up do festival. Ao meu gosto musical, tem uma programação indie deliciosa que dificilmente você veria em outro lugar, se não fosse por lá. E quarto, o público é um dos mais tranquilos e amistosos que venho presenciando.

É claro que nem tudo é um mar de rosas. Como qualquer evento de grande porte, há problemas que precisam ser contornados, e também posso enumerar alguns. Por exemplo, banheiros muito afastados; falta de algumas facilidades, como caixas eletrônicos (se tinha, eu não vi) ou serviços que não funcionavam, como a má conexão das máquinas de débito automático.

Pois bem, estava sofrendo há meses, porque não tinha conseguido comprar os ingressos para o Planeta Terra que esgotaram já no primeiro dia de venda, em apenas  dez horas. A frustração só piorava a cada nome confirmado no line-up. O ápice da tristeza foi saber que o Groove Armada iria fechar a noite do festival (quem me conhece sabe o que isso significa). Sério, foi como uma faca nesse coraçãozinho. Enfim, tirando o meu exagero dramático, sofri. Até que ontem (5), no próprio dia do festival, algo inesperado aconteceu. Durante um churrasco na casa de amigos, eis que cai um convite vip para o evento. Um dos responsáveis pela área de marketing de um dos patrocinadores do evento, Hot Pocket Sadia, estava ao meu lado. E ao saber da minha tristeza,  sensibilizou-se e fez o que pôde para arranjar o disputadíssimo ingresso. É claro que a essa altura eu já tinha arranjado algo para fazer (leia-se lugar para beber para afogar as mágoas) e tentar esquecer esse sábado. Conclusão, eu parecia uma criança ao saber que iria para a Disney.

Mas vamos ao que interessa. A programação desse ano foi bem fraca em relação aos anos anteriores. Bandas como Beady Eye (do ex-Oasis Liam Gallagher), e Interpol deixaram o público entediado. Salvo algumas exceções, esse line-up não irá deixar muitas lembranças. Como consegui o ingresso de última hora, perdi o começo do festival, o que me invalida de fazer comentários sobre alguns shows, que, segundo consta, também entrarão no esquecimento dos presentes, como, por exemplo, o da banda inglesa White Lies. Mas para ser bem sincera, depois que confirmaram Strokes e logo depois Groove Armada, o resto da programação pouco me interessava.

Beady Eye

Entre um show e outro, e o abandono do chato show do Interpol, consegui ver um pouco da banda de indie rock britânica Bombay Bicycle Club (falarei sobre eles no próximo post) e os performáticos e moderninhos retrôs (se é que isso existe), Gang Gang Dance, que se apresentaram no palco alternativo do festival. Apesar do estranhamento inicial, a banda de Nova York conseguiu atrair minha atenção. O abuso de referências musicais, que vão do árabe ao que a sua imaginação permitir, e o uso de instrumentos de percussão de forma teatral  mostraram-se interessantes. Mas os reis da noite foram, sem dúvida, os também nova-iorquinos Strokes.

Bombay Biclycle Club

Gang Gang Dance

O show, curto como sempre (algo em torno de uma hora), foi bem diferente da apresentação que vi recentemente no último New Orleans Jazz Festival, em meados de maio. Apesar de ser a mesma turnê, o set-list mudou bastante, e Julian Casablancas se mostrou bem mais simpático que em seu país de origem. Sorte minha. Já o duo britânico Groove Armada também me surpreendeu (se é que isso é possível). Apesar de achar que mesmo ruins eles são bons, há dois meses os vi tocar no Bestival e, sinceramente, foi a pior apresentação que pude presenciar deles. Já sem a banda, com músicas chatas e remixes idens (com no máximo duas músicas de autoria da dupla), fizeram-me repensar essa devoção que sinto  por eles. Pois bem, não sei se foi o ar tropical ou a empolgação do público brasileiro, mas Andy Cato e Tom Findlay simplesmente estavam inspirados e fizeram o público, já cansado, pular e lotar o palco alternativo do festival. E o bom filho à casa torna, aliás, lugar de onde nunca deveriam ter saído, o top de todos os tops e acima de qualquer top five que eu tenha.

The Strokes

Groove Armada

* Agradecimentos ao departamento de marketing da Sadia, e em especial Rafael Palmer, que cedeu gentilmente ingresso para o evento.

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