Pearl Jam

Uma das bandas mais esperadas esse ano para tocar no Brasil finalmente chegou. Pearl Jam, em turnê comemorativa aos  vinte anos do lançamento do primeiro álbum da banda, fez seu primeiro show ontem (3), em São Paulo, dos  cinco que irá realizar por aqui. As sortudas cidades onde o grupo de Seattle ainda irá passar são RJ (6), Curitiba (9) e Porto Alegre (11).

Consegui ingresso só para o show extra, em SP, que calhou de ser justamente o primeiro – já que os  sessenta e oito mil ingressos para o show de hoje (4) estão esgotados há tempos -. O frio que fez na cidade nessa última quinta-feira não desanimou as  cinquenta mil pessoas que escolheram a pista para ver o show. As arquibancadas estavam vazias, mas não menos animadas. Os funcionários responsáveis pela limpeza do Estádio do Morumbi aproveitaram o pouco serviço para assistirem ao show. Luxo de poucos.

Estou acostumada a ir ao estádio para ver shows e confesso que foi a primeira vez que cheguei ao Morumbi sem perrengue. Trânsito ótimo e, apesar de má fama dos fãs de rock e, neste caso, grunge, o público estava bem civilizado. O show começou relativamente no horário previsto (meia hora não é nada para quem esperou Madonna durante  três horas, de atraso, diga-se de passagem). Durante 2h10 min., a banda americana tocou  vinte e seis músicas do seu vasto repertório ao longo dessas duas últimas décadas. Finalizou a noite com o cover de Neil Young, Rockin’in the free world, com as luzes do estádio já acesas (o que achei um desrespeito). Acredito que o bairro não anda muito contente com o barulho e transtornos causados pelos eventos no estádio. Dois dias antes da apresentação, recebi um e-mail avisando que o show iria começar 15 minutos antes do previsto, o que explica o atraso quase que irrelevante da banda e as luzes acesas pontualmente às 23h.  Regras são regras.

O show foi incrível, apesar de alguns já conhecidos e frequentes problemas. Não sei o que anda acontecendo com os concertos a que eu tenho ido, mas a qualidade de som anda péssima. Ao invés de melhorar  – por conta de termos cada vez mais shows de grande porte e, consequentemente, profissionais mais experientes e acesso a equipamentos de melhor qualidade – , parece que a qualidade do som está cada vez pior. Mal consegui ouvir a voz do Eddie Vedder, principalmente na primeira metade do show. Aliás, esse foi de longe um dos artistas mais simpáticos que vi tocar no Brasil. Proferiu frases longas (lendo, evidentemente) em português. Sim, eu sou meio piegas e adoro quando gringo vem para o Brasil e  mostra (ou finge, pelo menos) algum interesse pelo país que o recebe. Pode parecer bobeira, mas acho que é o mínimo de respeito, para não dizer educação. Neguinho paga caro por concertos desse nível e muitas vezes fica horas na chuva, no frio ou no calor esperando o seu artista, para alguns chegarem e não darem nem boa noite, ou pior, falando espanhol…

Mas o que me deixou mais feliz e com a sensação de alma lavada nessa noite fria, não foram as poucas palavras que ouvi em português do vocalista. Vendo o Pearl Jam, tive uma sensação que há algum tempo não sentia. O palco simples, sem qualquer decoração ou adereço, me fez lembrar o porquê há anos (amadoramente) cruzo oceanos e continentes, passo perrengues e gasto fortunas para ir a tantos shows. Não são superproduções com palcos que mais parecem naves espaciais prontas para decolar, figurinos espetaculares ou dezenas de dançarinos bem ensaiados que me movem. Vou pelo simples prazer de ouvir música, só. Vejam bem, isso não é uma crítica. Essas superproduções são interessantes e muito bacanas de serem vistas, mas de vez em quando é bom poder assistir a um show  em que a música é o “produto” principal. Quando o artista é bom, ele não precisa de nada para atrair a atenção do público, a não ser a sua música e o seu talento. Pearl Jam deixou isso bem claro na noite da última quinta-feira. Eles não precisam usar nenhum recurso externo para distrair a plateia, enquanto fazem o que eles sabem fazer de melhor: tocar, e bem. Ponto.

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