Rock in Rio 2011

Infelizmente, não rolou uma cobertura completa do RiR, devido à impossibilidade de arranjar ingresso para todos os dias, porém consegui para o primeiro dia do festival. Vou tecer alguns comentários só do que vivenciei, já que mesmo acompanhando a cobertura completa em outras mídias, não acho justo falar sobre algo que não vi.

Primeiramente, fico muito feliz  por ter tido a oportunidade de participar, mesmo que um pouquinho, de um festival desse porte em terras tupiniquins. Acho que o Brasil, mais do que nunca, merece e tem cacife para produzir eventos desse nível. Agora vamos ao que interessa.

O primeiro dia do festival, que rolou em uma sexta-feira, dia 23 de setembro, foi o mais “pop”. Passaram pelo palco principal Titãs e Paralamas (juntos), Claudia Leite, a californiana Katy Perry, Elton John e, finalizando a noite, a “headline” de sexta-feira Rihanna. Também tocaram na cidade do rock, mas no palco Sunset e em parcerias, Bebel Gilberto e Sandra de Sá, Ed Motta e o português Rui Veloso, Móveis Coloniais de Acaju com a Orkestra Rumpilezz e Mariana Aydar e, finalizando as atrações no palco mais alternativo, os dinamarqueses The Asteroids Galaxy Tour. Infelizmente, não vi nada do palco Sunset, pois só consegui chegar ao RiR às 20:00 h.

Show do Elton John

Eram umas 16 horas, quando fui a uma praça em Ipanema tentar pegar um dos ônibus para  seguir até a cidade do rock. Caos total. Primeiro, a falta de informação era geral (a isso incluem-se os responsáveis pela organização dos transportes). Havia dois tipos de ônibus, o vip, que era para quem tinha comprado o cartão antecipado, no valor de R$ 35,00, com direito  ida e volta, e os famosos metrôs de superfície, ônibus comuns, os quais levavam as pessoas a fazerem baldeação (relativamente tranquila), no bairro de Alvorada. Bom, peguei a última opção. Foram  quatro horas para conseguir chegar ao RiR. Tentar pegar um dos ônibus com filas gigantescas e desorganizadas era missão para os mais pacientes, e o transito de sexta-feira junto com um acidente na entrada da Barra foram agravantes consideráveis. Apesar de tudo, a ida foi tranquila, da baldeação à chegada ao festival. O “longo” percurso entre a última parada do ônibus até a entrada do Rock in Rio não é tão grande assim. Não peguei fila e cheguei bem na hora do show da Claudia Leite (que passei).

Para mim, o maior problema foia estrutura oferecida para  cem mil pessoas. Não dá para fazer um evento desse porte, com essa quantidade de público, num espaço que acho adequado para, no máximo,  oitenta mil pessoas. Muita gente em espaços reduzidos favorecem brigas, roubos e todos os tipos de incidentes. Os poucos quiosques dedicados à alimentação e bebidas (com funcionários despreparados e sem nenhum sistema de agilidade e produtividade) contribuíram para a espera média de 2 horas e 10 minutos para se pegar um sanduíche sem graça. Os organizadores vieram a público dizer que levaram muitos canos de funcionários que não apareceram ou, simplesmente, venderam suas credenciais, mas a verdade é que o problema era muito maior do que faltas, já que muitas vezes havia funcionários parados e sem saber o que fazer, enquanto a pessoa responsável pelo caixa mal sabia como contar o troco. Faltaram treinamento, um sistema mais simples para facilitar o serviço e  quiosques para atender a demanda.

Particularmente com os banheiros, eu não tive problema e achei o ponto forte do festival (pelo menos no primeiro dia, antes dos problemas que fizeram vazar urina pelo RiR); sequer peguei fila, e todos limpos. Ouvi pessoas reclamando dos banheiros,  em que muitas vezes não tinham papel. Francamente, festivais, e ainda mais para  cem mil pessoas por dia com banheiro convencional é um luxo e tanto. Em todas as minhas andanças nunca vi, sempre são banheiros químicos (que são péssimos, mas o recomendável para esse tipo de evento). Agora, segurança também era artigo de luxo. Vi pouquíssimos e apesar de não ter vistos furtos e brigas, se não fosse o público bem “família” do primeiro dia, acredito que poderia ter havido problemas de proporções seriíssimas. Brinquedos, quando cheguei já estavam fechados e a rua do rock simplesmente intransitável, pouco consegui ver. Sem contar que entre o trajeto dos palcos até a rua do rock, havia um momento em o caminho se estreitava, aí era mais confusão e empurra-empurra para transitar de um lado para o outro; aliás, era nesse ponto onde foi  constatada a maior quantidade de furtos).

Rua do rock

Agora, o pior de tudo foi o som começando pela quantidade pequena de palcos ou tendas com programação musical. O RiR tinha e tem cacife para ter uma programação de dar inveja a qualquer festival internacional ( é para poucos a façanha de conseguir vender quase que todos os ingressos sem ter o line-up completo do evento). Parece que não, mas quando se tem mais opções de atrações, você diminui consideravelmente alguns transtornos típicos de lugares com grandes aglomerações, evita horários de pico e superlotações de arenas, banheiros e praças de alimentação. Outro fato é que também acaba agradando a mais gente. Acho que acabou ficando “pobre” nesse sentido. Mas o que achei inconcebível foram as falhas técnicas do som. Durante o show da Katy Perry, mal se conseguia ouvir o que ela cantava (ok que a fraca voz da californiana não ajudava). Quem estava do lado direito do palco principal sofreu para ouvir os shows; Uma caixa de som lateral estava quebrada e a outra com oscilações de volume. Conclusão, péssimo. Como frequentadora assídua de shows e festivais, digo que esse tipo de evento pode ter muitas falhas (e sempre tem), mas o som é a única que não pode ser cometida, pois compromete o que há de mais vital e o que faz gerar tudo isso –  a relação do artista com o público. Sem contar que é um  desrespeito para com ambas as partes.

Show da Katy Perry

Show da Rihana


Só para concluir, gostaria de validar a importância do RiR para colocar o Brasil no roteiro das grandes bandas e artistas mundiais. Esse papo de que o Rock in Rio virou Axé in Rio  etc., devido a ter uma programação não tanto rock ‘n roll como o nome propõe, pra mim não passa de comentários repetitivos e disseminados, principalmente pelas redes sociais, e sem uma devida reflexão do assunto. O RiR é uma marca, não tem mais esse conceito de que é só rock, se fosse assim não existiria em outros países, porque, como diz no nome, tem que ser no Rio. Acho um papo desgastado e um tanto quanto vazio. É uma marca poderosa e precisa ser aproveitada da melhor forma possível, e se você não está a fim de ver artistas pops, vai somente no dia que lhe agrada.  Houve problemas, sim  houve, e minhas colocações são justamente para dizer que esses problemas não poderiam ter acontecido, não no RiR,  principalmente por sua importância e capacidade, e não o oposto. Anunciaram que o evento volta a sua cidade maravilhosa em 2013 e que a quantidade de ingressos que serão disponibilizados na próxima edição será de  oitenta e cinco mil. Uma boa notícia, apesar de que  ficará muito mais difícil de se conseguir um convite.

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