Adele

Muito tem-se falado sobre a artista inglesa Adele. Também não é para menos, o currículo da simpática jovem cantora e compositora é de impressionar. Adele já ganhou dois Grammys (como “Artista Revelação” e “Melhor Vocal Pop Feminino”), também foi a primeira a ganhar o prêmio Critics Choice do Brit Awards,  dentre outros. Não há dúvidas em relação ao seu talento. Mas prestígio nem sempre significa popularidade. Agora, quando um artista de fora começa a fazer muito barulho na terra do Tio Sam, aí sim pode-se ter certeza deque ele é popular.

No Brasil, esse movimento de super culto a Adele ainda não chegou, mas é questão de tempo (aposto meu “reino”). Ao que tudo indica, ela veio preencher o vácuo deixado pela transloucada Amy no coração dos ingleses. Infelizmente, Winehouse  não é a mesma, mal consegue cantar uma música inteira durante seus shows. Amy só está confirmando a minha teoria de que ela se tornará apenas a promessa de uma artista que ela poderia ter sido, caso não se regenere a tempo (o que seria um desperdício imensurável).

Por tudo isso, quando descobri que Adele iria fazer duas apresentações em Nova York no período em que eu estaria por lá, coloquei como missão ir  a esse show. Precisava ver com os meus próprios olhos o que a inglesinha tinha que todos tanto falavam. Sabia que não seria fácil (ou barato). Os ingressos estavam esgotados havia mais de dois meses. Conclusão, paguei caro por ele no eBay (para os padrões americanos), e o lugar não era dos melhores.

Mais pobre, porém feliz, consegui ir ao show que rolou ontem (21), no United Palace Theatre. Fui a muitos concertos enquanto morei em NY, mas nunca tinha ouvido falar desse teatro. Ele fica longe, bem longe, quase no Bronx e é belíssimo, apesar de ter uma inclinação quase  de 90 graus, sério. Parecia que a Adele estava dentro de um buraco e eu  avistando-a de cima.

O show foi desconcertante de tamanha potência vocal e emocional que essa cantora possui e transmite. Com uma apresentação que durou quase duas horas, recheada de sucessos antigos e promessas de futuros sucessos do recém lançado álbum, 21,  Adele deixou claro que veio para ficar. Palco simples, com um banquinho no centro, um abajur ao lado e pouca luz, a cantora já de início mostrou o quanto de carga emocional seria despejado na noite. A primeira música, cantada ainda com a cantora fora do palco, foi a lindíssima (e também uma das mais fortes, na minha opinião)  Hometown Glory, do primeiro álbum da inglesa, 19. Depois dessa entrada fulminante, ela já tinha ganho o coração não só dos ingleses mas também dos americanos e de uma brasileirinha.

O clima só não ficou mais intenso, porque a simpática e “comediante” cantora insistia em falar, com bom humor, sobre as agruras e percalços da sua curta, porém atribulada, vida amorosa. Ela explicava como cada música havia sido concebida e o porquê. Sim, ela explica uma por uma. E fala da mãe e fala do cachorro e fala do ex-namorado e fala da saudade de casa quando está em turnê, aí volta a falar da mãe, depois fala do outro ex-namorado e por aí vai até o fim do show. Ficou bem claro que suas músicas e, consequentemente, seus dois álbuns são autobiográficos e, sinceramente, que ela ama loucamente o ex-namorado (o último, acho, agora estou confusa?!). Dor de cotovelo pura e rasgada em belíssimas canções. Agora, convenhamos, como fala essa moça! Fiquei com a impressão de que era para encher linguiça e cumprir o protocolo do contrato, já que talvez dois álbuns não fosse suficiente para preencher duas horas de show.  Quando o público começava a mostrar sinais de irritação com tamanha falação, Adele cantava outra música e se redimia quase que instantaneamente.

O show acabou com a cantora e o teatro inteiro cantando a música que se ouve de dez em dez minutos em qualquer lugar da cidade, Rolling in the Deep. E se NY é a capital do mundo, alguém duvida que a inglesinha já conquistou o próprio?

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