A cidade mal-assombrada…

Desde  sua fundação, New Orleans tem sofrido constantes desastres, epidemias, destruição e mortes do que qualquer outra cidade americana. Ela já teve que ser reconstruída várias vezes, seja por decorrentes incêndios que ocorreram no século XVIII seja  pelos constantes furacões e alagamentos que atingem “The Big  Easy”.

New Orleans é uma das cidades mais supersticiosas dos EUA e, segundo consta, a mais mal-assombrada também. Parece que cada casa, hotel e estabelecimento por aqui tem a sua própria história de terror para contar. A prática e a influência da religião voodoo, herança trazida dos africanos e caribenhos que vieram para cá, estão em toda parte. Inclusive nas dezenas de tours oferecidos na cidade.

Dentre vários, um chamou minha atenção: “Tours alternativos para viajantes inteligentes”, não que eu me ache mais inteligente do que os outros, mas esse tour se gaba por ser o único feito por professores, historiadores e jornalistas (que bebem livremente durante o passeio) e prometem ser um dos únicos que não assustam seus clientes com atores fantasiados de fantasmas durante a caminhada, e o que, cá para nós, seria ridículo, certo?!.

O tour se passa à noite no French Quarter e são duas horas, das 20 às 22 horas,  andando pelo bairro. Confesso que as histórias me parecem um pouco fantasiosas demais ou, pelo menos, sem nenhum embasamento mais profundo, mas uma constante me chamou a atenção: todas as “assombrações” foram pessoas que tiveram uma morte bem sofrida ou triste, digamos assim. Por exemplo, a do jovem Felipe, um rapaz de família muito rica, que depois da morte de seu pai se vicia em jogos de azar e quase leva a família à ruína por conta disso. Sua mãe o deserda e ele se mata com um tiro na cabeça. Até aí, tudo bem, acontece que a antiga residência onde o pobre menino rico morou e se matou, é onde hoje funciona o famoso e chique restaurante Muriel’s (sem saber, eu  havia almoçado lá naquele dia, ou melhor, tentado, já que no horário em que eu fui, a cozinha já estava fechada, o que me restou comer uns aperitivos bem ruinzinhos). A reclamação constante tanto dos clientes (que juram  ver o tal rapaz principalmente no banheiro)  quanto  a demissão dos funcionários, que simplesmente não suportam mais a presença, digamos assim, espiritual do Felipe, fazem com que o restaurante deixe diariamente uma mesa posta, com prato e um copo de vinho, o que, segundo eles, faz com que Felipe fique mais calmo e encha menos o saco dos clientes e funcionários do restaurante.

Bom, achei meio bobo o tour, mas confesso que dei umas boas risadas.

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